17 anos. Essa é a idade média das pessoas que estão finalizando o período escolar e prestando vestibular para definir a carreira que pretendem seguir para o resto da vida… 17 anos!

Com 17 anos estava eu, em Londrina, precisando tomar uma decisão que me preocupava muito. E por mais que hoje eu tenha uma outra percepção sobre isso, naquele momento eu só pensava que uma decisão errada poderia custar anos da minha vida e que eu me arrependeria amargamente.

Para algumas pessoas, assinalar o curso pretendido não é um “bicho de sete cabeças”. Algumas encontram sua vocação muito cedo, embora seja difícil nesses casos que não tenha havido uma influência externa (o que por si só não é problema – mas isso é assunto para outra hora). No entanto, no meu caso… Eu não tinha a menor ideia do que eu queria…

Lembro que eu buscava ajuda da minha mãe, queria ouvir a opinião dela, porém ela se limitava a dizer que essa decisão cabia a mim e que não queria me influenciar. A intenção era boa, mas confesso que me deixava mais nervoso, porque até então eu sentia que ela me conhecia mais do que eu mesmo e, então, esperava dela uma “resposta”. 

Comecei a ler várias coisas, falar com várias pessoas, enquanto o prazo de inscrição do vestibular ia se esgotando. Eu sinto que esperava a resposta vir de algum lugar, que alguém fosse me falar o que era certo fazer. E, sabe o que é mais louco? Eu jamais busquei a resposta dentro de mim mesmo. Nunca tinha parado, em silêncio, para analisar o que eu me visualizava fazendo no futuro, o que eu amava fazer, o que eu faria mesmo se não fosse pago para isso…

Não, com 17 anos a minha vontade era fazer o que eu tivesse facilidade e que pudesse me garantir algum retorno financeiro, verdade seja dita. Por gostar de ler e escrever, mas ser péssimo em exatas, “eliminei” vários cursos. Pensei em Letras, Jornalismo, Relações Públicas, Administração… Escolhi o “Direito”.

Eu acredito que a escolha foi também uma forma de remediar a minha indecisão. Eu pensava: “ah, Direito é um curso que não é jogado fora, vale para a vida (como se vários outros também não valessem)” ou, ainda, “Direito tem muito campo de trabalho, só de concurso tem uma infinidade, depois eu escolho melhor”.

Pois é, hoje lembrando disso eu percebo que a minha justificativa ao decidir o curso, apenas evidenciava o quanto eu não estava certo da minha decisão. A escolha foi quase como afirmar “dos males, o menor”. Isso porque estamos falando da carreira que, teoricamente, eu deveria perseguir por toda a vida e me sentir realizado profissionalmente.

Fiz o curso, me formei e, bom, como você pode perceber, essa não é uma peça jurídica, nem estou escrevendo para um escritório. Não me arrependo do que fiz, acredito que tudo que vivi foi bem válido. Mas, de verdade, não queria que essa escolha fosse um fardo tão grande para uma pessoa de 17 anos.

E a minha ideia aqui não é exatamente criticar o sistema educacional ou algo do tipo. É que, somente agora, eu percebo que a minha falta de autoconhecimento tornou o processo ainda mais difícil. Eu precisava que a minha família, a escola, meus professores me mostrassem a “luz no fim do túnel”, porque eu mesmo não parava para pensar sobre isso, para analisar minhas habilidades, minhas perspectivas, interesses…

Eu não conseguia ouvir minha voz interior em meio a tantas outras vozes e opiniões que pairavam na minha cabeça… Pode parecer contraintuitivo, mas para ouvir a si mesmo é preciso do silêncio, para conseguirmos fazer, conscientemente, uma análise dos nossos medos, sonhos, pontos fortes e a desenvolver, dentre várias outras coisas. Isso é autoconhecimento. E a profissão a ser escolhida tem tudo a ver com isso.

É evidente que escolher um curso por achar que “dá mais dinheiro (ou status)” é pedir para se frustrar. Mas eu digo isso hoje. Com 17 anos eu não admitia que escolheria o Direito porque imaginava que poderia obter isso mais facilmente, se comparado a outros. Contudo, a verdade é: nenhum curso pode garantir qualquer coisa! Tudo depende de você.

Em qualquer área teremos pessoas bem-sucedidas e pessoas mal-sucedidas, essa é a vida. O que determina isso é a pessoa, e não o curso. E, claro, ter sucesso pode ou não estar relacionado a dinheiro, depende do que é sucesso para você. Mas, perceba: tudo isso está diretamente ligado ao autoconhecimento, percepção esta que eu não tinha e que diariamente preciso buscar. Afinal, estamos em constante mudança.

Aquilo que eu gostava, hoje não gosto mais, aquilo que eu queria, hoje não quero mais – e o contrário também é verdade. Nossas prioridades, medos, planos, sonhos mudam à medida em que amadurecemos. Portanto, sem a busca constante do autoconhecimento, eventualmente você pode se perder. E como eu disse, quando já estamos perdidos, buscamos a resposta “fora” e não “dentro”.

Daí o meu apelo: você que já fez escolhas sem levar em conta o autoconhecimento e se arrependeu, pode ajudar alguém que esteja passando por um período de decisão importante. Talvez seja um filho, um aluno, um funcionário, um colega, enfim. Não se contente em apenas dar sua opinião ou dizer para que ela descubra sozinha. Estimule e facilite o autoconhecimento. Pergunte sobre seus anseios, intenções, perspectivas, habilidades e o que ela ganha ou perde se tomar ou não a decisão. Talvez nem mesmo você saiba responder a essas perguntas, nesse caso, faça também esta reflexão.

Você vai perceber que, quando faz isso, a pessoa indecisa pode se dar conta de coisas que eram claras para você, mas que, se você tivesse simplesmente dito sua opinião (sem fazê-la se questionar), não se tornariam tão claras para ela e não teria surtido o mesmo efeito. Isso porque quando você faz alguém refletir e responder, não será apenas mais uma nova voz que a pessoa indecisa vai ouvir, mas sim a principal delas, a que vem de dentro e que só pode ser ouvida quando há… (adivinha?) autoconhecimento!

João Lucas Cortez.